Oito Mulheres e Um Segredo: Muito Girl Power, Mas Nem Tantas Risadas

** Essa resenha foi publicada pela primeira vez no website "Pipoca e Guaraná"em 2018. **




Oito Mulheres e Um Segredo reúne algumas das artistas mais relevantes da atualidade, esse cuidado minucioso na escolha do elenco mostrou-se como um atrativo mesmo antes de sua estreia e, com certeza, colocou a expectativa para o sucesso do filme nas alturas. E, se apenas a ideia de todas essas personalidades distintas em um mesmo filme já parecia interessante, vê-las em ação mostrou-se uma divertida distração de fim de semana.

Debbie Ocean (Sandra Bullock) é a irmã de Danny Ocean (George Clooney), o protagonista da trilogia original, que, surpreendentemente, todos acreditam estar morto - porém, o corpo não aparece e na ficção essa é sempre uma porta aberta para o retorno de algum personagem. Debbie, recém saída da prisão, se reencontra com uma grande amiga e parceira do crime, Lou (Cate Blanchett), e as duas resolvem por em prática um plano de roubar um colar avaliado em 150 milhões de dólares, um plano que Debbie orquestrou durante os cinco anos que ficou presa. Para completar o time elas procuram uma estilista à beira da falência (Helena Bonham Carter), uma dona de casa com alguns talentos para o crime (Sarah Paulson), uma joalheira (Mindy Kalling), uma batedora de carteira (Awkwafina) e uma hacker (Rihanna). Parte do plano envolve um golpe em uma atriz de sucesso Daphne Kluger, interpretada por Anne Hathaway, que executa - com sucesso - uma versão exagerada dela mesma. Além do roubo da joia, Debbie planeja outro golpe, o de se vingar de seu ex-namorado Claude Becker, interpretado pelo talentoso - mas aqui pouco aproveitado - Richard Armitage.

Comparações com seu irmão mais velho, Onze Homens e Um Segredo (Steven Soderbergh, 2001), são inevitáveis, enquanto o filme original se beneficia de um roteiro mais cômico e de um diretor mais talentoso, Oito Mulheres e Um Segredo tem a vantagem no que diz respeito ao star power. Certamente, isso não é um insulto aos atores de Onze Homens e Um Segredo, até porque, desde o lançamento do primeiro filme, um dos atores de tornou um vingador (Don Cheadle) e outro ganhou um Oscar (Casey Affleck). No entanto, na época do lançamento do primeiro filme, nenhum deles chegava perto de possuir a fama de uma Rihanna, por exemplo.

Esta não é a única vantagem de Oito Mulheres e Um Segredo sobre o filme original, mas é, seguramente, a mais óbvia. Além do elenco de primeira linha, se destaca o plano para o roubo da joia durante o badaladíssimo Met Gala, uma ideia bem estruturada e plausível, mesmo que ainda exija uma certa suspensão da descrença por parte dos espectadores, como qualquer filme do gênero. O figurino de Sarah Edwards também é algo que salta aos olhos, principalmente nas cenas durante o Met Gala. E uma surpresa no terceiro ato deve agradar aqueles que gostam de uma reviravolta.



Apesar de ter o potencial para ser um bom filme, Oito Muheres e Um Segredo peca na execução, devido a uma direção pouco inspirada e um roteiro que produziu poucas risadas considerando o talento humorístico envolvido. Aliás, as melhores piadas do filme vem do personagem do James Corden; o que me leva a pensar que Gary Ross e Olivia Milch não são desprovidos de humor, mas que possuem uma certa dificuldade para escreverem personagens femininas engraçadas. Talvez, no próximo filme, eles possam aproveitar a presença de Mindy Kalling no roteiro também.

Mesmo com seus encantos e a boa química entre as atrizes, é dificil considerar Oito Mulheres e Um Segredo um filme imperdível devido a suas falhas tão óbvias que poderiam ser facilmente resolvidas com um pouco mais de cuidado com o roteiro, porém, é uma distração bem-vinda para aqueles que apenas procuram se distrair por uma hora e meia.





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